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A Alta dos preços no setor alimentício em tempos de baixa inflação

10 set

By: Leonardo Menezes

Economia

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O mês de agosto registrou uma inflação de 0,24%, segundo o IBGE. Nesse sentido, o que explica o aumento do arroz em 19,25%, o feijão preto em 28,92% ou mesmo a cebola em 50,4%? Nessa matéria destacaremos alguns pontos, que tem por finalidade explicar esse aumento dos preços no setor alimentício, bem como o motivo acerca de um baixo índice inflacionário.

Os pesos que compõe o IPCA

Antes de tudo, precisamos entender a ponderação das despesas do cálculo do IPCA, como é mostrado pelo Gráfico 1:

Gráfico 1 – Ponderação das Despesas (IPCA)

Fonte: IBGE, IPCA – agosto de 2020
Elaboração: Grupo Nash Consultoria

A partir desses dados, podemos concluir que o aumento dos preços no setor alimentício corresponde apenas a cerca de 20% do IPCA. Por mais que seja o maior peso de despesas da inflação, 80% dos gastos calculados fazem parte de outros setores. Logo, não há como adotar o IPCA, que é um índice tão geral, para mensurar coisas específicas, como o preço dos alimentos da cesta básica.

O contexto de mercado na pandemia

Se o IPCA não responde às questões do aumento dos preços no setor alimentício, então é preciso recorrer aos acontecimentos do mercado. Apesar dos alimentos terem suas especificidades, suas variações de preços têm influência de alguns pontos em comum. Com efeito, elencaremos três eventos que encareceram a cesta básica:

  • A alta do dólar;
  • O aumento do preço da gasolina;
  • O auxílio emergencial.

O dólar

A alta do dólar, que permeia acima dos R$5,00 desde o mês de março de 2020, demonstra a desvalorização do real. Essa desvalorização incentiva a exportação das produções agrícolas brasileiras, uma vez que o mercado internacional rentabiliza mais do que o nacional. Em resumo, a exportação é tamanha que faltam produtos para consumo interno, ocorrendo assim o aumento dos preços no setor alimentício.

A China, por exemplo, importou por volta de 40% dos produtos brasileiros entre janeiro e julho, enquanto que a União Europeia importou cerca de 16% e os EUA 6%, dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

O dólar alto também dificulta a compra de insumos para o cultivo dos alimentos, obrigando os produtores a optarem por reduzir suas produções. Por consequência, novamente temos uma diminuição de oferta ao mercado interno e o aumento dos preços no setor alimentício.

A gasolina e o auxílio emergencial

Em seguida, a elevação do preço da gasolina encarece o produto final, dado que o transporte da mercadoria está incluso nesse valor.

Quanto ao auxílio emergencial, devido às paralisações, as famílias em um geral sofreram diminuições em suas rendas. Ainda assim, o auxílio garantiu que houvesse dinheiro para manter a economia, um dinheiro voltado para alimentos da cesta básica.

Portanto, a diminuição na renda das famílias impediu que a inflação subisse. Ao mesmo tempo, o auxílio aumentou a demanda por esses alimentos essenciais à família brasileira.

Dessa forma, há aumento nos preços dos setores alimentícios mesmo em tempos de baixa inflação. A alta do dólar foi fundamento para a criação desse contexto, mas não a única causa, visto que a gasolina e uma renda mínima corroboraram para esse cenário.

Informe-se

Abaixo, confira os 20 produtos que mais encareceram de janeiro a agosto:

Gráfico 2 – O encarecimento de alimentos e bebidas (jan – ago, em %)

O aumento dos preços no setor alimentício de janeiro a agosto de 2020.
Fonte: IBGE, IPCA – agosto de 2020
Elaboração: Grupo Nash Consultoria

Acesse nosso artigo sobre o IPCA para mais informações sobre o índice inflacionário oficial do Brasil.

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